![]() antigo Flexão verbal ParadigmasLéxico 1600 Syllabus | Flexão verbal básica
SUMÁRIO
Radicais e terminações verbaisVerbos são palavras que exprimem ação, estado ou fenômeno. A flexão verbal compreende o conjunto de variações morfológicas assumidas pelos verbos conforme as exigências do enunciado. As formas verbais variam de acordo com o aspecto, a voz, o número e o modo; variam, ademais, de acordo com a pessoa do discurso, nas formas ditas pessoais ou finitas, e de acordo com o caso, nas formas nominais. O momento temporal do ato verbal, no grego antigo, tem valor muito menor que a noção de aspecto. O falante do português já está razoavelmente familiarizado com a riqueza de formas flexionais e com a maioria dos conceitos que envolvem a flexão verbal do português, língua falávamos = fal + á + va + mos
Agora, para comparação, os elementos da forma verbal grega λύομεν, "desatamos":
λύομεν = λύ + ø + ο + μεν
A noção básica da ação verbal e o aspecto estão contidos no radical; as outras noções (modo, voz, número, pessoa do discurso) são informadas, via de regra, pelas terminações. O tempo verbal"Tempo verbal" é o nome que se dá à situação do processo verbal em relação ao momento temporal em que se fala. O grego antigo, assim como as outras línguas indo-européias, tem três momentos temporais:
Em grego, a noção de momento temporal é secundária à noção de aspecto e tem uma certa importância somente no modo indicativo e, em pequena escala, nas formas nominais do verbo; nos outros modos, predomina a noção de aspecto. Consideremos, por exemplo, duas formas verbais da voz ativa do sistema do aoristo, cujo radical exprime a noção verbal de forma pura e abstrata, sem qualquer nuance:
No primeiro exemplo, a forma verbal está no modo indicativo, o modo dos fatos reais; para marcar o tempo pretérito é preciso acrescentar um prefixo especial ao radical do aoristo, o aumento (-ἐ-). Quem marca o momento temporal, portanto, é o aumento; não é o radical do aoristo, não é o modo indicativo. No segundo exemplo, temos o modo subjuntivo, que exprime, entre outras coisas, a eventualidade; o radical do aoristo é o mesmo, mas sem o aumento. O radical dessa forma verbal é, portanto, desprovida de qualquer conotação temporal. O radical do aoristo marca o "ato de educar", o modo subjuntivo marca a "eventualidade" desse ato, e a desinência marca a pessoa do discurso, "tu". O momento temporal pode ser ontem, hoje ou amanhã...
N.b.. No português, o modo subjuntivo tem três "tempos" e a noção temporal é predominante: presente do subjuntivo, "eduques tu"; pretério imperfeito do subjuntivo, "educasses tu"; futuro do subjuntivo, "educares tu". A diferença entre o grego e o português é, como se vê, considerável.
É inadequada, conseqüentemente, a insistência da maioria das gramáticas tradicionais em atribuir aos grupos flexionais do verbo grego rótulos do tipo "subjuntivo presente" e "optativo presente", entre outros. A noção temporal praticamente não existe, em grego, fora do indicativo, e mesmo assim são necessários afixos para Por essas razões, nestas sinopses o estudo das formas verbais gregas se baseia na identificação do aspecto verbal e não em categorias gramaticais ispiradas pelo latim e pelo português ("mais-que-perfeito", "imperfeito", etc.), que em nada auxiliam o estudo do grego. O aspecto verbalO aspecto, a mais importante nuance do ato verbal marcada pelo radical dos verbos, se refere ao "grau de acabamento", à completitude da ação verbal. Há três aspectos básicos, o aoristo, o imperfectivo e o perfectivo:
N.b.. Muitas gramáticas chamam o aspecto imperfectivo de "presente" e o aspecto perfectivo de "perfeito". Nestas sinopses será evitada essa nomenclatura, pois implica confusão com o português.
O futuro é desprovido de aspecto (aspecto "zero") e constitui mero deslocamento do ato verbal para o futuro. É, portanto, aparentado ao aoristo e, apesar de não refletir propriamente um aspecto verbal, seu radical têm variações muito semelhantes às dos aspectos. Os radicais das formas verbais marcam, portanto, a oposição entre quatro sistemas morfológicos:
Muitos dentre os verbos mais antigos da língua têm radicais com mais de uma raiz; verbos recentes, formados a partir da tendência natural da língua de formar uma conjugação regular a partir de uma única raiz, têm um só tipo de radical que, no entanto, pode sofrer ajustes fonéticos. Exemplos:
Note-se que
O reconhecimento dos radicais do verbos mais antigos depende, em geral, de consulta ao dicionário; no caso dos verbos mais recentes, regulares, os radicais são habitualmente previsíveis. Ver os paradigmas. A vozA voz é a categoria gramatical que marca, em todas as línguas A mais antiga, historicamente, é a voz ativa, em que o processo verbal parte do sujeito. O sujeito, portanto, pratica a ação verbal, é um sujeito "emissor". Exemplos:
Posteriormente, surgiu a voz média, utilizada quando o sujeito pratica uma ação na qual ele tem interesse ou se empenha particularmente. De certa forma, o sujeito é emissor e receptor da ação verbal. Exemplos:
Na voz passiva, que se desenvolveu posteriormente a partir da voz média, o processo verbal recai sobre o sujeito, isto é, o sujeito "sofre / recebe" a ação verbal (sujeito "receptor"). Exemplo:
Alguns verbos não existem em todas as vozes. Por exemplo, τρέχω, "eu corro", só existe na voz ativa; γίγνομαι, "eu me torno", só existe na voz média. Há verbos que têm formas ativas no imperfectivo e, no futuro, só formas médias. Por exemplo: λαμβάνω, "eu pego"; λήψομαι, "eu pegarei". A arquitetura morfológica da voz média e da voz passiva é muito regular, com poucos "acidentes fonéticos"; a arquitetura da voz ativa, por outro lado, é pouco rigorosa e diversas alterações fonéticas, mais ou menos evidentes, ocorrem. Eis um quadro sinóptico das vozes do verbo παιδεύω, "eu educo", na 3ª pessoa do singular do modo indicativo:
Quando o radical é o do aoristo ou o do futuro, as três vozes são perfeitamente discerníveis; as vozes ativa e média se diferenciam pela desinência Quando o radical é o do imperfectivo ou do perfectivo, as formas médias e passivas são sempre iguais e por isso são chamadas de Formas pessoais e impessoais do verboAs formas da flexão verbal que marcam as pessoas do discurso (eu, tu, vós, etc.) são ditas pessoais ou finitas, pois " As formas do infinitivo e do particípio, que expressam o ato verbal como se fosse um nome, são ditas impessoais ou nominais; O radical do verbo marca, em todas as formas verbais, o aspecto e, eventualmente, o momento temporal do ato verbal; nos sistemas do aoristo e do futuro, marca também a voz passiva. As terminações assinalam, por sua vez, o número (singular, plural, dual), a voz (ativa, média e, fora do aoristo, a passiva) e mais as seguintes categorias gramaticais:
Panorama das formas verbais:
Próxima sinopseArquivo 018. Criado em 01.10.2004, atualizado em 01.10.2004 | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||