DIDASCALICA
recursos didáticos para o grego antigo
Iatreion   |   Didascalica   |   Portal Graecia Antiqua   |   Wilson A. Ribeiro Jr.
abreviaturas
Busca Google:
qa
didascalica | as formas pessoais do verbo Aprendendo o grego
antigo

Formas pessoais
do verbo
Paradigmas
Léxico 1600
Syllabus
As formas pessoais do verbo
SUMÁRIO
sinopse anterior
 
Os modos pessoais

O sistema modal do grego antigo exprimia a oposição entre a expressão objetiva e a expressão subjetiva da ação verbal.

Na história da língua, surgiram primeiro os dois modos objetivos, o indicativo e o imperativo. O subjuntivo e o optativo surgiram posteriormente, diante da necessidade de exprimir atos verbais fatos de forma subjetiva.

Os modos pessoais são, portanto, quatro:

INDICATIVO

Exprime objetivamente ação ou o estado verbal como fato puro e simples, determinado e real.
παιδεύομεν, "nós educamos".

IMPERATIVO

Exprime objetivamente a ordem ou a probição.
παίδευε, "educa tu".

SUBJUNTIVO

Exprime a ação como uma vontade ou como uma eventualidade; noções essencialmente subjetivas.
παιδεύωμεν, "nós educaríamos".

OPTATIVO

Exprime a possibilidade e o desejo, noções essencialmente subjetivas.
παιδεύοιμεν, "possamos nós educar".

O indicativo e o imperativo marcam, basicamente, o que é factual; o subjuntivo, o que é prospectivo, isto é, pode acontecer no futuro; o optativo marca uma ação ainda mais remotamente prospectiva.

Morfologicamente, a oposição entre modos objetivos e subjetivos se manifesta pelas desinências modais, infixos posicionados entre o radical e as desinências número-pessoais, e pelo uso dos advérbios de negação próprios às nuances modais:

modos       sufixo modal negação nuance básica
    indicativo -ø- οὐ       objetiva
    imperativo -ø- οὐ       objetiva
    subjuntivo -η/ω- μή       subjetiva
    optativo -ιη/ι- μή       subjetiva

up

Pessoas do discurso e número

Nos modos pessoais, as terminações identificam também a pessoa do discurso e seu número. As pessoas do discurso são três:

  •  =  a pessoa que fala (eu, nós);
  •  =  a pessoa com quem se fala (tu, vós);
  •  =  a pessoa / objeto de quem se fala (ele, ela, eles, elas).

O número de pessoas do discurso admite também três possibilidades:

  • singular  =  designa um único ser / objeto;
  • plural  =  designa a pessoa que fala e outras pessoas ao mesmo tempo;
  • dual  =  designa dois seres / objetos; existe apenas para a 2ª e a 3ª pessoa do discurso.

O homem grego usava muitas vezes a primeira pessoa do plural para se referir a si mesmo, mais ou menos como o "plural de modéstia" do português:

φέρε κοίνωσον μῦθον ἐς ἡμᾶς.
πρὸς δ' ἄνδρ' ἀγαθὸν πιστόν τε φράσεις:


Vamos, compartilha conosco essa história,
vais contá-la a um homem bom e fiel;

E.IA, 44-45.

A segunda pessoa do singular (tu) era usada pelos gregos para se dirigir a todos — homens, reis ou deuses. O "você" da língua portuguesa, de origem litúrgica e servil (Murachco), não teria o menor sentido para um grego.

up

Desinências número-pessoais

Em essência, tais desinências exprimem as relações entre as pessoas do discurso e as formas verbais. Além da pessoa do discurso e do número, marcam as vozes verbais ativa e médio-passiva; a voz passiva dos sistemas do aoristo e do futuro, reconhecíveis pelo radical, usam respectivamente as desinências ativas e médio-passivas.

Há três tipos básicos de desinência, que se distinguem quanto às nuances temporais e modais da ação verbal:

  1. desinências primárias: próprias dos momentos temporais "presente" e "futuro" e do modo subjuntivo;
  2. desinências secundárias: próprias do momento temporal "passado" e do modo optativo;
  3. desinências do imperativo: próprias e específicas desse modo verbal.
formas número pessoa primárias secundárias imperativo
ativas sg. -ω / -μι
-ς  -θι / -ø
-τι > -σι -τω
pl. -μεν -μεν
-τε -τε -τε
-ντι -ν / -σαν -ντων (*)
médias sg. -μαι -μην
-σαι -σο -σο
-ται -το -σθω
pl. -μεθα -μεθα
-σθε -σθε -σθε
-νται -ντο -σθων (**)
(*) a partir do século -IV, -τωσαν
(**) a partir do século -IV, -σθωσαν

Observações:

  1. a notação assinala a ausência de desinência ou a queda de desinência antiga;
  2. o contato entre a última letra do radical e a primeira letra da desinência número-pessoal resulta muitas vezes em alterações fonéticas, notadamente na voz ativa; v. paradigmas;
  3. para as desinências do dual, v. dual.
up

Conjugação dos modos pessoais

Conjugações são os conjuntos de flexões verbais organizadas de acordo com o aspecto, o modo, o tempo, a pessoa do discurso e o número das formas verbais.

A meu ver, não é correto chamarmos os grupos flexionais verbais do grego antigo de "tempos", como em latim e em português (presente do indicativo, mais-que-perfeito, etc.), uma vez que os conceitos envolvidos são diferentes. Em grego, o aspecto verbal é o conceito mais importante; em latim e em português, o momento temporal.

Devido à importância predominante da noção de aspecto em detrimento da noção de tempo, os grupos flexionais da conjugação pessoal grega devem ser estudadas a partir de quatro sistemas (imperfectivo, aoristo, futuro e perfectivo), quatro modos (indicativo, imperativo, subjuntivo, optativo) e, no modo indicativo, por dois momentos temporais (presente e pretérito).

imperfectivo: aoristo: futuro: perfeito:
    indicativo
        • presente
        • pretérito
    indicativo     indicativo     indicativo
        • presente
        • pretérito
    imperativo     imperativo       imperativo
    subjuntivo     subjuntivo       subjuntivo
    optativo     optativo     optativo     optativo

A base de cada um dos quatro sistemas é, obviamente, a forma do radical do verbo (imperfectivo, futuro, aoristo, perfectivo).

up

Verbos em e em -μι

De acordo com a desinência número-pessoal da 1ª pessoa do singular do imperfectivo indicativo presente ativo, os verbos gregos podem ser agrupados da seguinte forma:

  • verbos em , v.g.
    λύ-ω, "eu desato";
    παιδεύ-ω, "eu ensino";
    ἀγγέλλ-ω, "eu anuncio";
  • verbos em -μι, v.g.
    εἰ-μί, "eu sou / existo";
    δίδω-μι, "eu dou";
    τίθη-μι, "eu coloco".

Os verbos em e o os verbos em -μι têm diferenças significativas de flexão somente no sistema do imperfectivo; não há razão, portanto, para serem estudados separadamente.

Alguns verbos não têm formas ativas, apenas formas médias e passivas; são os verbos em -μαι, como por exemplo βούλο-μαι, "eu quero".

up

Próxima sinopse

Concordância nominal e verbal


Arquivo 019. Criado em 02.10.2004, atualizado em 02.10.2004
© 2004-2012 Wilson A. Ribeiro Jr.                             contato  |  expediente  |  mapa do site                       imprimir versão amigável