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Os sons
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Léxico 1600
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Os sons do grego antigo
SUMÁRIO
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Sons articulados

Para falarmos, o ar expirado tem que passar pelo órgão fonador humano, a laringe, onde ficam as cordas vocais. As cordas vibram em decorrência de estímulo nervoso proveniente do cérebro e o som, "empurrado" pela coluna de ar que atravessa a glote (abertura variável localizada entre as cordas vocais), passa pela faringe, atinge as cavidades bucal e nasal, é modificado por estruturas aí situadas e chega, por fim, ao ambiente exterior.

fonador

Aberturas e fechamentos totais ou parciais, aplicados em diferentes áreas das cavidades bucal e nasal durante a passagem da coluna de ar, produzem os diferentes sons emitidos pela fala humana. Essas áreas são os pontos de articulação da voz; por isso se diz que a fala humana é composta de "sons articulados".

Há duas grandes categorias de sons falados: vogais e consoantes. O som das vogais pode ser emitido de forma isolada; as consoantes só podem ser emitidas com o apoio de vogais. Exemplos:

  • /a/  =  "a" é uma vogal;
  • /ga/, /ma/, /sa/  =  "g", "m" e "s" são consoantes.
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Vogais

Para a emissão de sons vocálicos, a coluna de ar passa livremente pela cavidade bucal, que atua como caixa de ressonância; o que se ouve, basicamente, é um som glotal, oriundo da glote. O grego antigo tinha sete vogais: -α-, -ε-, -η-, -ο-, -ω-, -ι-, -υ-.

O grau de abertura / fechamento da mandíbula e o grau de aproximação / afastamento da língua do palato duro e do palato mole ("céu da boca"), durante a passagem da coluna de ar, determinam o "grau de abertura" (ou timbre) das vogais. Em nosso caso,

  • -α-, -η- e -ω- são vogais abertas;
  • -ε- e -ο- são vogais fechadas.

Outra característica relevante das vogais gregas é a "quantidade", i.e., o tempo que se demora para emití-las. Uma vogal breve demorava uma unidade de tempo; uma vogal longa, duas unidades de tempo (a longa é sempre o dobro da breve). Exemplo: -ε- pronunciava-se "ê"; -η- pronunciava-se "éé". No grego, em relação à quantidade,

  • -ε- e -ο são vogais breves,
  • -η- e -ω são vogais longas e
  • -α-, -ι- e -υ- são vogais ambíguas, i.e., podem ser breves ou longas.

Quando surge a eventual necessidade de especificar se uma vogal ambígua é longa ou breve, em geral nas gramáticas e tratados afins, marca-se a vogal com dois sinais:

  • [ ]  =  mácron (gr. μάκρον) se for "longa";
  • [ ]  =  bráquia (gr. βράχια) se for "breve".
Exemplos: -- (-υ- longo) e -- (-υ- breve).

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Ditongos

São dois sons vocálicos pronunciados na mesma emissão de voz. Em grego, temos basicamente os seguintes ditongos:

  • 1º elemento ("base") breve  =  -ᾰι-  -ει-  -οι-  -αυ-  -ευ-  -ου-
  • 1º elemento ("base") longo  =  -ᾱι-  -ηι-  -ηυ-  -ωι-

Com o tempo, os ditongos de base longa foram desaparecendo da língua grega, notadamente a partir do século -IV; o -ι-, por exemplo, deixou de ser pronunciado. Em gramáticas mais antigas, fala-se no iota adscrito e no iota subscrito, representações gráficas desse fenômeno nos manuscritos do século XII em diante.

ᾄδει  =  ιδει "ele/a canta"
(edições antigas)      (edições recentes) exemplo de iota subscrito

O uso do "iota subscrito" nas edições modernas de textos gregos, apesar da forte tradição, é muito artificial e está rapidamente caindo em desuso; conseqüentemente, nestas sinopses não é usado o iota subscrito — o iota é adscrito, como em ιδει.

No século -IV, igualmente, dois ditongos de base breve, -ει- e -ου-, começaram a simplificar-se e acabaram se tornando falsos ditongos, pronunciados respectivamente como /e/ fechado longo (= "êê") e como /o/ fechado longo (= "ôô"); mas isso praticamente não afetou a escrita.

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Aspiração

Existe em grego um som oriundo diretamente da laringe, conhecido por aspiração, produzido pela passagem um tanto forçada da coluna de ar pela glote aberta. O som resultante é mais ou menos rude, áspero, semelhante ao "r" da palavra rato (rrato).

Todos os sons vocálicos no início de palavras podem ser emitidos com aspiração. Em grego, usa-se um sinal gráfico, o espírito (do latim spiritus, "sopro"), para marcar a presença ou ausência de aspiração:

  • -- ou --  =  lê-se "rra" (é o -α- com espírito "rude" ou "áspero");
  • -- ou --  =  lê-se "a" (é o -α com espírito "doce").

O -υ- inicial tem sempre espírito áspero: -ὑ-. Nos ditongos, o espírito recai no segundo elemento: -εἰ-.

Dentre as consoantes, o -ρ- inicial sempre leva espírito áspero: -- (= "rrato"). Algumas consoantes podem ser também "aspiradas", como se verá adiante.

Na transcrição para o português, coloca-se um "h" antes da vogal: ὅσος, hósos.

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Consoantes

Os sons consonânticos são determinados pela imposição de diferentes tipos de dificuldade à passagem da coluna de ar pela cavidade bucal ou pelos lábios.

Em nosso caso, interessa agrupar as consoantes de acordo com os seguintes critérios: modo de articulação, ponto de articulação, presença de vibrações glotais e presença de ressonância da cavidade nasal, esta produzida pelo abaixamento do véu palatino (os palatos, o "céu da boca"):

  • quanto ao modo de articulação —
    oclusivas  =  obstrução completa e momentânea da coluna de ar;
    espirantes  =  fechamento parcial da cavidade bucal, com "estreitamento"
              contínuo da coluna de ar;

  • quanto ao ponto de articulação —
    labiais  =  na altura dos lábios;
    dentais  =  na altura dos dentes;
    velares  =  na altura do véu palatino (também chamadas, impropriamente,
             de guturais);
    líquidas  =  com fechamento parcial, provocado pela posição da ponta da
              língua, mas a coluna de ar "escorre" pelos lados;
    sibilantes  =  com fechamento parcial, entre a ponta da língua e a parte
              da frente do palato duro (som contínuo, de atrito);

  • quanto à presença de vibrações glotais —
    mudas  =  vibrações ausentes;
    sonoras  =  vibrações presentes;

  • quanto à presença ou não de aspiração —
    aspiradas;

  • quanto à presença de ressonância nasal —
    nasais.

Esses critérios classificatórios não são mutuamente exclusivos e em geral as consoantes se enquandram em mais de um critério. Do ponto de vista eminentemente prático, faz-se em geral o seguinte arranjo:

  OCLUSIVAS ESPIRANTES
  sonoras surdas aspiradas * líquidas nasais sibilantes
labiais β π φ - μ F
dentais δ τ θ λ ν σ, ς
guturais γ κ χ ρ γ ** j, y

As consoantes duplas, não colocadas na tabela acima, devem ser encaradas como a representação gráfica de dois sons consonânticos consecutivos:

  • ζ  =  σδ ou δσ (pronunciava-se /zd/ ou /dz/);
  • ξ  =  κσ;
  • ψ  =  πσ.

(*) As consoantes aspiradas representam também dois sons sucessivos, o da consoante e o da aspiração:

φ =  π  ̔   (pronunciava-se prr)
θ =  τ  ̔   (pronunciava-se trr)
χ =  κ  ̔   (pronunciava-se krr)

(**) A letra -γ- antes de gutural (γ, κ, ξ ou χ) representa um som nasal. Exemplo: γγελος, mensageiro (pronunciava-se "ângueloss")

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Sonantes

No idioma indo-europeu, a partir do qual o grego antigo se formou, havia seis fonemas de caráter contínuo (espirante) e sonoro que ora apareciam como segundo elemento de ditongos, ora como vogais, ora como consoantes. No grego, conservaram-se:

  • duas sonantes líquidas, no papel de consoantes: -λ- e -ρ-;
  • duas sonantes nasais, no papel de consoantes: -μ- e -ν-;
  • o -y- (yod) e o -F- (digama ou vau), com sons de "i" e de "u", respectivamente, no papel de vogal ou de consoante.

O -y- e o -F- desapareceram do grego no início do período histórico, mas deixaram vários resquícios, entre eles os sons -ι- e -υ- no segundo elemento dos ditongos. Devido ao seu comportamento ambígüo, o -ι- e o -υ- são freqüentemente chamados de semivogais.

As sonantes líquidas e nasais também deixaram, em algumas palavras, sinais de sua utilização como vogais.

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Próxima sinopse

As duas outras sinopses de fonética,

  • O acento musical do grego antigo
  • Fenômenos fonéticos básicos da língua grega

ainda não estão prontas; passe, por enquanto, para a seguinte:

A frase grega


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