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didascalica | radicais, desinências, terminações Aprendendo o grego
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Radicais, desinências, terminações
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Léxico 1600
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Radicais, desinências, terminações
SUMÁRIO
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A palavra grega

Quanto à forma, as palavras gregas podem ser variáveis ou invariáveis, exatamente como nas demais línguas indo-européias; mas, por se tratar de língua muito antiga, de estrutura próxima à do tronco indo-europeu, as variações morfológicas das palavras gregas são bem mais complexas do que as das línguas mais modernas.

Há pequena quantidade de palavras invariáveis: são os advérbios, as preposições, os conetivos e uma série de partículas de difícil classificação que emprestavam tonalidade e ênfase variadas aos enunciados.

As palavras com formas variáveis, muito numerosas, são os substantivos, adjetivos e pronomes, nestas sinopses chamados coletivamente de nomes, e os verbos.

O reconhecimento de palavras invariáveis é questão de léxico; as mais freqüentes estão listadas no Vocabulário Fundamental. Quanto às palavras variáveis, além da noção básica transmitida pela palavra em si (informada pelo dicionário), é preciso identificar a forma sob a qual se apresenta e assim determinar sua função sintática nos enunciados.

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Palavras variáveis

As palavras variavéis têm uma parte mais ou menos fixa, o radical, e outra que varia consideravelmente, a desinência. O radical contém a noção nominal ou verbal; a desinência marca o gênero, o número e outras categorias gramaticais da palavra.

κόρακ-ας
RADICAL
(noção
  nominal:
  "corvo")
DESINÊNCIA
(masculino,
  singular,
  acusativo)

No exemplo acima, as letras vermelhas assinalam o radical do substantivo κόρακας; as letras negras, a desinência. O radical é em geral representado sem os acentos, seguido de um traço e muitas vezes entre colchetes:  [κορακ-]. A desinência costuma ser precedida por um traço: -ας.

Eis um panorama das noções informadas pelo radical e pelas desinências:



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Raiz e afixos do radical

Diz-se que o radical é "mais ou menos fixo" porque há, freqüentemente, variações significativas na sua forma entre as palavras de uma mesma família e, também, nas diversas formas de uma única palavra.

Os radicais gregos são em geral constituídos por dois elementos básicos, a raiz e os afixos. A raiz é a parte do radical que contém o significado básico da palavra; os afixos (prefixos, infixos e sufixos, conforme a posição) especificam ou determinam certas nuances da noção nominal ou verbal contida na raiz. Algumas palavras têm radical formado unicamente pela raiz.

Conside-se, por exemplo, a raiz δο-, que contém a noção geral de "dar":

  • na palavra δοτήρ, -τηρ é um sufixo de agente que especifica o valor da raiz; daí a tradução, "aquele que dá", "doador";

  • em δόσις, -σις é um sufixo de ação, isto é, que indica uma ação; a tradução, nesse caso, é "aquilo que é dado", "doação" (daí, "dose" — algo que é dado em certas quantidades);

  • na forma verbal δίδομεν, δι- é um prefixo especial, conhecido por redobro em -ι-, que nesse caso marca o aspecto durativo da ação verbal; -μεν não faz parte do radical, é a desinência da 1ª pessoa do plural. Tradução: "nós damos".
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Alternâncias vocálicas

A parte mais estável do radical é, em geral, o arcabouço consonântico; as variações mais freqüentes ocorrem em determinadas vogais e são chamadas de alternâncias vocálicas — ou apofonia.

Considere-se, por exemplo, algumas formas ativas do verbo λείπω, "eu deixo":

  • λιπον  =  aoristo, indicativo, 1ª sg.
  • λείπω  =  imperfectivo, indicativo presente, 1ª sg.
  • λέλοιπα  =  perfectivo, indicativo presente, 1ª sg.

As sutis alterações no grupo vocálico do radical primitivo (λιπ-, radical do aoristo), constituídas pela inserção das vogais -ε- e -ο-, indentificam uma nuance do ato verbal conhecida por "aspecto verbal" (imperfectivo, aoristo, perfectivo) para cada uma dessas formas.

Os lingüistas chamam essa vogal variável de "vogal alternante" e as alternâncias são chamadas de graus. Neste caso, temos:

  • o grau zero (λ  ιπ-);
  • o grau pleno (λειπ-);
  • o grau fletido (λοιπ--).

Nos radicais nominais, a apofonia é mais evidente na vogal temática, sufixo posicionado no fim do radical de algumas palavras. Essa vogal sofre, notadamente, alterações no timbre.

Considere-se, por exemplo, algumas formas do substantivo λύκος, "lobo":

  1. λύκε  =  vocativo sg. :: grau -ε-
  2. λύκος  =  nominativo sg. :: grau -ο-

É costume representar graficamente a vogal temática assim: -ε/ο-. No exemplo acima, portanto, o radical é λυκε/ο-.

Alguns verbos também têm uma vogal alternante -ε/ο-, muito semelhante à dos nomes, entre o radical e a desinência de certas formas verbais. Vejamos, por exemplo, duas formas ativas do verbo λύω-, "eu desato":

  1. λύ-ο-μεν  =  imperfectivo, indicativo presente, 1ª pl. :: grau -ο-
  2. λύ-ε-τε  =  imperfectivo, indicativo presente, 2ª pl. :: grau -ε-

Há divergências quanto à etimologia dessa vogal alternante dos verbos. Quase todos os gramáticos chamam-na de "vogal temática" e, de acordo com sua presença nas formas do sistema do imperfectivo, agrupam os verbos gregos em verbos temáticos e verbos atemáticos. Murachco, por outro lado, considera-a apenas uma "vogal de apoio ou de ligação", recurso fonético criado para acomodar problemas de pronúncia.

Do ponto de vista prático, independentemente da nomenclatura, trata-se de vogal alternante... E, como se verá, a terminologia verbos temáticos e verbos atemáticos é inadequada de qualquer ponto de vista.

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Desinências e terminações

A parte final, flexível, das palavras variáveis — nomes e verbos — recebe diversas denominações. Nestas sinopses, adoto os critérios discutidos por Freire (p. 15 e 60-61) para diferenciar "desinência" de "terminação".

Eis um exemplo tirado do verbo λυ-, "desatar":

λύετε
λύομεν
RADICAL
(noção verbal,
  aspecto)
DESINÊNCIA
(pessoa,
  número)
  VOGAL
ALTERNANTE
 
TERMINAÇÃO

Desinência é um sufixo colocado depois do radical das palavras variáveis para marcar as categorias gramaticais (gênero, número, caso, pessoa do discurso, etc.).

Terminação é o conjunto de "letras móveis" do fim da palavra e que geralmente engloba a desinência, eventuais letras móveis do fim do radical e certos infixos colocados entre o radical e a desinência.

No substantivo κορακ-, "corvo", a forma κόρακ-ας pode ser decomposta em κόρακ-, radical, e -ας, desinência. A desinência e a terminação neste caso são a mesma coisa.

No verbo λύομεν, que acabamos de ver, λυ- é o radical, -ο- é a vogal alternante, -μεν é a desinência; -ομεν, portanto, é a terminação.

No substantivo δοτηρ-, "doador", δοτηρ- é o próprio radical e não há desinência visível. Neste caso, diz-se que a palavra tem desinência "zero", representada pelo sinal .

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Bases da flexão nominal


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